quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Mãe...



Eu sei que não é fácil pra você... Juro que sei. E sei o quanto você sofre por isso, sei o quanto você reza, e pede pra que tudo mude quando você levantar no dia seguinte, sei que você só queria ter um filho normal. Mas eu não sou, mãe. 
Sabe, eu sinto falta de você, e de como éramos antes... Sinto falta de tudo. De toda vez que você me dava um susto quando eu acabava de escovar os dentes e estava indo pra cama dormir, e de sempre lembrar que você ia me assustar, mas mesmo assim, sempre me assustar e deitar ao seu lado e rir muito. 
Sinto falta das nossas risadas, e de todo o amor.
Mas tudo desmoronou. E de um dia pro outro, tudo mudou. Os olhares, a voz, o jeito de falar comigo... Tudo.
Sei que eu não sou um filho fácil, muito menos compreensível. Mas mãe, ninguém é perfeito. 
Eu tento muito entender suas imperfeições, mas você não deixa, você não abre espaço. Toda vez que eu tento uma aproximação, você se fecha para mim, e para o mundo.
Desculpa por ser assim, por apernas querer lutar para que eu possa ser eu mesmo, sem ter que usar máscaras para esconder minha verdadeira identidade, desculpa se a minha felicidade te incomoda.
Eu queria ter mais do que aquela mãe que compra tudo que eu peço, e que me deixa fazer tudo. Eu queria uma amiga para qual eu pudesse contar tudo... (cont)